segunda-feira, 1 de junho de 2009

Relato de Experiência - Durval Duarte Júnior

Prezados colegas,
Reverências.
Segue abaixo um relato pessoal meu que foi publicado na seção “Opniões” do jornal “Comércio do Jahu”, na cidade de Jahu, SP no dia 31 de março de 2007. É um jornal que atinge uma área com 500.000 habitantes.

Ciência e metafísica
Desde criança sempre tive uma grande paixão por matemática e ciências exatas. Meu pai era engenheiro da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro. O mesmo se formou em Engenharia Eletro-Mecânica pela POLI-USP e fez o doutorado em Engenharia Elétrica na universidade de Pitsburg nos EUA no final da década de 1940. Era um conceituado e eclético Engenheiro, possuidor de um vasto conhecimento científico. Sempre que possível ele me levava em suas viagens de inspeção de projetos que ele fazia pelo estado de São Paulo afora. Muito me orgulhava do trabalho que ele realizava e meu maior sonho era um dia ser um engenheiro como ele.

Hoje tudo isso faz parte de uma estória remota que muito influenciou a minha maneira de ser. Dediquei grande parte da minha vida aos estudos acadêmicos, cursei cerca de vinte anos de ensino superior no exterior e no Brasil. Cheguei a ser uma pessoa fanática pela ciência e não admitia verdades subjetivas, ou seja, não acreditava em nada que a ciência não pudesse provar. Para satisfazer minha curiosidade fiz alguns cursos de psicologia, teologia e filosofia da religião. Os cursos foram interessantes, mas não encontrei rigor em seus ensinamentos, tudo era mais ou menos relativo. Havia muita discussão e pouca conclusão. Isso reforçou ainda mais a minha crença de que somente as ciências exatas faziam realmente sentido.

Cerca de quinze anos atrás, a convite de amigos, comecei a freqüentar algumas comunidades de diversas denominações cristãs. Os ensinamentos que eu ouvia preenchiam alguma lacuna que existia em minha alma. Porém, vi também muita coisa errada e muito ensino deturpado, presenciei pregações em que usavam o nome de Deus única e exclusivamente para extorquir dinheiro dos fiéis. Apesar deste cenário, pude constatar que a fé tem um poder imensurável e realmente faz milagres, independente da intenção dos dirigentes da igreja em questão. Mesmo depois desta longa peregrinação eu continuava indeciso. Para mim a ciência falava mais alto. Na realidade eu não planejava a minha vida como faz a maioria das pessoas. Como todo “bom” engenheiro eu projetava o meu futuro e gerenciava minhas ações baseado nas metas a serem atingidas, alicerçado nos paradigmas científicos dos quais eu havia me tornado refém.

Sou um grande admirador das filosofias orientais. Já morei no Japão por algum tempo e pratico artes marciais desde jovem. Alguns anos atrás tive a curiosidade de visitar um grupo local de filosofia Oriental. Comecei a freqüentar regularmente este recinto e após alguns meses fui a um retiro de dois dias, numa academia de treinamento espiritual desta associação. Foi uma experiência interessante e prazerosa. Acordávamos as 05:45 h da manhã e ficávamos até as 22:00 h fazendo orações, meditando e ouvindo palestras. Foram dois dias muita paz e alto astral.
Neste seminário, aconteceu um episódio inédito que mudou radicalmente a minha maneira de pensar. Fui convidado a fazer uma entrevista com um senhor que orientava as pessoas da academia. Lembro-me que era um sábado, cerca de dez horas da noite. A academia fica numa região montanhosa, fazia bastante frio e um tímido luar pairava sobre as nuvens. Subi dois andares de uma escada íngreme e entrei numa minúscula sala de uns quatro metros quadrados onde havia uma pequena mesa e duas cadeiras. Em seguida entra um senhor de baixa estatura e semblante inquisitivo.

Ele olhou para mim e disse: Sr. Durval Duarte Junior, então o Sr. é engenheiro nuclear! Aquilo me assustou, pois ninguém desta associação sabia este detalhe. Pensei em sair da sala e descer a escada. Mas ele continuou: quem são essas pessoas ao seu redor? Eu lhe disse: eu estou sozinho. Porém, ele começou a mencionar a fisionomia das pessoas e para minha perplexidade e espanto eu as conhecia. Pensei seriamente em sair da sala, mas tentei ser valente o suficiente para ver o que iria acontecer.

Ele só falava coisas boas e aos poucos fui me acalmando. Eu me sentia como uma tela cinematográfica cujo filme em cartaz era minha própria vida, tendo apenas este senhor como espectador e comentarista. Continuamos a conversa e eu analisava minuciosamente cada palavra que ele dizia. Sua visão da vida era totalmente diferente e inviabilizava qualquer julgamento científico. Percebi que estava perante algo que transcendia a ciência. Fiquei totalmente perplexo e estonteado. Conversamos durante uma hora e meia e cerca de onze e meia da noite eu deixei a sala e me dirigi ao dormitório. No caminho eu tentava me recompor psicologicamente. Não estava triste, muito pelo contrário, estava confuso, eufórico e estonteado; nunca havia presenciado algo parecido.

Bom, este senhor me deu uma série de bons conselhos. Ele me receitou uma lista de orações para fazer diariamente. Orações de perdão a diversas pessoas, orações de agradecimento pela minha vida e pelos dons que Deus me deu e outros tantos bons conselhos que pregavam a humildade e agradecimento pela vida. Se assim fizesse alguns aspectos de minha vida iriam mudar.

De volta a Jaú tentei segui-los e, por incrível que pareça quase tudo que ele disse se concretizou. Em vista deste fato, tive que reconhecer, contrariando todo meu treinamento científico, que vivemos em um universo onde existem infinitos fenômenos que a ciência atual não consegue explicar. Hoje estou plenamente convicto de que a parte espiritual, geralmente invisível e desconhecida, é infinitamente mais importante que os fenômenos físicos plausíveis aos nossos sentidos. Desde então me tornei uma pessoa crente em Deus e bem mais humilde, plenamente consciente da minha ignorância a respeito da vida e seus infinitos mistérios.


Por se tratar de um jornal, não pude mencionar nomes (seria propaganda) nem o local, nem a sociedade em questão. A sociedade em questão é a Seicho-No-Iê, o senhor de baixa estatura e olhar inquisitivo é o Preletor Roberto Mitsuo Sakaguchi e a academia é a Academia de Treinamento Espiritual de Ibiúna.
Muito obrigado e um grande abraço a todos.
Reverências,
Durval Duarte Junior.



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