Monumento homenageia povos que foram escravizados

Diante de mais de 1.400 pessoas, e contando com a presença de representantes da etnia Pataxó e de importantes terreiros de candomblé da Bahia, foi consagrado o Monumento em Homenagem aos Povos que foram Escravizados (Negros e Índios), na Academia de Treinamento Espiritual de Santa Fé, no município de Mata de São João-BA. Conduzida pelo Professor Yoshio Mukai, Presidente Doutrinário para América Latina, a cerimônia ocorreu no dia 2 de novembro de 2010, por ocasião das celebrações do dia de Finados que são realizadas anualmente naquela academia.

Antes de erigirmos esse marco inédito, consultamos as comunidades representativas de negros e índios, e a resposta foi que esperavam por este momento com grande expectativa. – Disse o Professor Yoshio Mukai, ao fazer uso da palavra.

O Monumento
Projetado pelo arquiteto e preletor Fernando Loch, o monumento consiste de uma coluna envolvida por fitas pretas e vermelhas que representam as etnias negra e índia, respectivamente. Entrelaçadas, formam uma espiral que lembra uma cadeia de DNA. Mais ao alto, as fitas ganham as cores verde e amarela, que representam o Brasil. Barras de várias outras cores, que simbolizam todas as etnias, ligam-se à preta e à vermelha.

Convidados
Representando a comunidade indígena, compareceram à cerimônia os guerreiros Pataxós Taquari e Kramuha, e a índia Tamiwere, integrantes da aldeia Coroa Vermelha, de Santa Cruz de Cabralia-BA. Dois terreiros de Candomblé estavam representados. Do Ile Ache Aladi vieram 13 pessoas, entre as quais o babalorixá Paulo Roberto e a Mãe de Santo Altamira Simões. Do terreiro Casa Branca, famoso por ser o primeiro de Salvador-BA, compareceu sua líder espiritual, Ebaminice.

Herança: o Brasil
Os preletores, com as novas vestimentas recomendadas para as cerimônias da Seicho-No-Ie, lado a lado com os índios e seus cocares e com as mães de santo e seus trajes típicos, davam ideia da dimensão do encontro: raízes históricas distintas, mas de mãos dadas diante da mesma herança cultural e espiritual, o próprio Brasil.

– Quero aqui abençoar a todos os presentes e agradecer à Seicho-No-Ie, pois essa atitude significa a remissão do sofrimento do nosso povo. – Declarou a Mãe de Santo Altamira Simões.

O Pataxó Taquari declarou estar feliz em receber a homenagem em nome do seu povo.
– Para nós esse monumento é uma forma de reconhecer o sofrimento dos nossos ancestrais, e ao mesmo tempo nos alegrar porque eles continuam vivos e presentes. – Afirmou Taquari

Os representantes de negros e índios, que se disseram impressionados com o conteúdo e a leitura em conjunto da Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade, afirmaram a intenção de participarem da cerimônia todos os anos.

Trabalho e arte
Nem só oração, multidão e fé se viu no evento. Trabalho e arte, virtudes herdadas dos povos homenageados, deram ainda mais cor à consagração. Os funcionários da academia trabalharam até a madrugada que antecedeu a cerimônia para que tudo estivesse em ordem. Já pela manhã, a mesa de oferendas aos antepassados, com alimentos e adereços típicos, foi comparada pela Professora Marie Murakami com uma “obra de arte”.

Mais arte foi vista já durante a programação. O cantor e compositor baiano, Edu Casanova, cantou uma música que se refere aos povos escravizados. A Associação Local Vilas do Atlântico fez uma apre­sentação muito aplaudida, saudando os povos que deram origem ao Brasil.

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